BRASÍLIA - Há dez anos, em 29 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação histórica, o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Em meio a pressões da imprensa e da opinião pública, a manifestações de jovens "caras-pintadas" que pareciam ressuscitar o movimento estudantil, o placar da votação foi esmagadoramente a favor do impedimento: 441 votos contra 38.
Primeiro presidente civil brasileiro eleito por voto direto desde 1960, Collor foi também o mais jovem a ocupar a Presidência da República. Em 1989, com 40 anos, foi escolhido por 35 milhões de eleitores no segundo turno, que disputou com Luiz Inácio Lula da Silva. Integrante de um partido sem representatividade - PRN - Collor foi alçado ao poder com a bandeira da "caça aos marajás".
Assim que foi empossado, Collor e sua equipe econômica - liderada pela ministra Zélia Cardoso de Mello - lançaram um pacote de 17 medidas provisórias, denominado Plano Collor. Entre as polêmicas medidas, estava o bloqueio por 18 meses de todo dinheiro existentes nas poupanças e contas correntes dos brasileiros - com exceção de uma quantia individual equivalente a US$ 50, que podia ser sacada de imediato.
Mas as denúncias de corrupção não demoraram a aparecer. Em maio de 92, o irmão mais novo do ex-presidente, Pedro Collor, fez uma série de acusações sore o tesoureiro da campanha de Collor, Paulo César Farias, o PC, publicadas pela revista Veja. Em julho do mesmo ano, outra capa de revista trazia as denúncias que faltavam. Eriberto França, motorista da secretária de Collor, Ana Acioli, contou à Istoé detalhes que provavam que PC depositava grandes somas de dinheiro na conta de Collor.
As denúncias culminaram com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pelo Congresso, e com a aprovação do processo de impeachment. Collor foi julgado no Senado em 29 de dezembro, e renunciou antes do final da sessão para tentar escapar da pena de inelegibilidade por oito anos. Mesmo assim, por 73 votos a oito, o Senado decidiu cassar os direitos políticos dele por oito anos.
Fernando Collor então mudou-se para Miami com a família, onde viveu até 2000, quando voltou ao Brasil e tentou se candidatar a prefeito de São Paulo. Em 2002, já com os direitos políticos restituídos, concorre ao governo de Alagoas. Está em segundo lugar, com 37% das intenções de voto.
Dez anos depois, no entanto, o ex-presidente parece ainda não ter conseguido se livrar das denúncias: em sua edição deste final de semana, a revista Veja aponta que Collor deve ser indiciado pela Polícia Federal pelo crime de evasão de divisas, e formalmente acusado de pagar 2,2 milhões de dólares pelo Dossiê Cayman.
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